notícia no mínimo triste... :(


O professor Attico Chassot é uma das maiores referências em Educação que conheço. Já falei sobre ele no blogue, e sempre tive muito respeito e carinho pela sua figura quase lendária. Tenho orgulho de vê-lo orientando Karina, criando aquele vínculo quase familiar conosco.

Eis que o meu turno de trabalho tem uma surpresa agradável como um jab no queixo. Com 3000 blogadas, o blogue do Mestre Chassot não será mais alimentado com a sabedoria do professor (pelo menos foi o que ele declarou).

A sensação de orfandade é grande. É como se você ficasse sabendo do afastamento de um ente muito querido. E o é, de fato. Ler Chassot é ter uma porta aberta para um universo de conhecimento, que bebe de fontes tão diferentes quanto os clássicos literários e científicos, ou os saberes primevos populares. 
 
Numa das poucas músicas de letra e música, ambas de sua lavra, Milton Nascimento escreveu algo que eu gostaria de ter escrito, e que me lembra este momento, para mim de perda de um canal de acesso à sabedoria de menino de cabelos grisalhos e calça com suspensórios, cujas palavras pude ouvir tantas vezes no IPA. A generosidade de repartir seus saberes e olhares sobre o mundo, típicas do educador, sempre se refletiram nas suas palavras.

Sentirei falta de doses maciças de novos textos, agora bissextos, todos prenhes de olhares com seus óculos de ver diferente o mundo... Sinto falta de uma Academia com mais Chassots, com a capacidade de enxergar os nexos entre Linus Pauling, Giordano Bruno, Isaac Newton, Paulo Freire e os saberes primevos das lavadeiras de beira de rio, de benzedeiras da periferia e da sabedoria das avós. Bom, tem o livro novo vindo por aí...há esperança no ciberespaço!

Um abraço afetuoso, meu mestre!


Pai Grande

Meu pai grande
Ainda me lembro
E que saudade de você
Dizendo: eu já criei seu pai
Hoje vou criar você
Ainda tenho muita vida pra viver

Meu pai grande
Quisera eu ter raça pra contar
A história dos guerreiros
Trazidos lá do longe
Sem sua paz

De minha saudade vem você contar
De onde eu vim
É bom lembrar
Todo homem de verdade
Era forte e sem maldade
Podia amar
Podia ver

Todo filho seu
Seguindo os passos
E um cantinho pra morrer

Pra onde eu vim
Não vou chorar
Já não quero ir mais embora
Minha gente é essa agora
Se estou aqui
Eu trouxe de lá
Um amor tão longe de mentiras
Quero a quem quiser me amar 

(Milton Nascimento, gravado em 1969).

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