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vaya con Diós, Talo!

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Perdemos, no dia 18. o cantor e compositor Raul Eduardo Pereyra, o Talo Pereyra. Argentino de nascimento, gaúcho de alma, cidadão do mundo, em seus 52 anos de carreira, traçou sua trajetória buscando preservar as tradições mais que os tradicionalismos. Talo estava com 67 anos de idade.
A história de Talo Pereyra com a música se confunde com sua vida, com, sua militância política, com seu ser. Talo iniciou-se no fazer musical na infância, na Argentina. As raízes, pelo lado do pai, foram tangos e marchas militares; pelo lado da mãe, folclore e música clássica. Aos 12 anos, recebeu seu primeiro violão, fez conservatório. Aos 12 anos compôs sua primeira música, apresentada no grande Teatro Coliseo Podestá, na cidade natal de La Plata.
Chegou ao Brasil depois do golpe militar, refugiado. Isso foi poucos dias depois do golpe que levara o general Jorge Rafael Videla ao comando da ditadura argentina, em 76. Na Argentina, sua esposa havia sido assassinada pela ditadura de plantão. Ele decide sa…

escondida no passado

O cara ultrapassa a barreira dos NTA e começa a lembrar do que fez com ares de memorialista. É, admito, este que vos bloga tem seus rompantes de memorialista, com certeza. Afinal, é muita coisa vivida, muito mico pago, muita historinha dialética, tipo o que dá pra chorar, dá pra rir, dependendo do ponto de vista ou da vista no ponto.
Isso foi em 1987, se a memória me ajudar. A peça "Escondida na Calcinha" bombava no Theatro São Pedro. Uma das atrizes, anos mais tarde, viraria uma amiga, professora da Sophia no Santa Inês.
Pois, lá pelas tantas, as atrizes se voltavam à plateia e perguntavam se havia algum músico entre os espectadores. Claro que o bobão aqui, que ministrava aulas na Academia do Professor Miranda, levantou o dedo.
Destino impiedoso e sarcástico, veio a pergunta da atriz:"tem que ter bom ouvido pra tocar p#nheta?"....
É.
Como você leu, sem o #, claro.
Em português claríssimo.
De repente, baixou em mim uma entidade dessas bem zombeiras e boas de re…

alguém viu?

Bom, ouvi dizer...é, só ouvi dizer

Esta semana, em algum lugar do leste europeu, árabes e russos estarão jogando futebol. Parece que vale alguma coisa, algo a ver com a FIFA, com um grupo de brasileiros com camisetas iguais àquelas daquele povo das manifestações coxinhas, transmissão pela tevê e tudo o mais... Só que a coisa é tão atraente quanto um rodízio de chuchu, algo como dançar com um pau de vassoura.
Se já houve mobilização de colocar bandeirinha na janela, de sair feito um periquito de amarelo por aí, juntar galera ao redor da televisão e xingar a genitora do juiz, hoje vejo um "copa o quê?" generalizado por aí.
Empolgante como uma orgia narrada pelo falecido Joelmir Betting, eis que a copa se avizinha. Um jogo de acabar com a insônia da galera irá abrir o certame. O Brasil, ah, o Brasil...batendo bola no domingo, contra o escrete suíço, que deve querer provar que o país da Europa Central não é só fonte de relógios, queijos e toblerones. E la nave va....sabe-se lá p…

caro Raul (sobre dona Jacobina Maurer)

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Do abismo do meu sono Eu trago a luz da verdade Anuncio o fim dos tempos Para os campos e cidades A divina natureza Faz de mim sua vontade Jacobina, libertina Aliada de Satanás Jacobina, libertina Picada do Ferrabráz Aos enfermos trago a cura Que me revela a divindade Das sagradas Escrituras Prego o amor e a caridade Nem baionetas caladas Calarão minha verdade Os anjos estão comigo Eu trago a ressurreição Ao cerco do inimigo Nós não damos rendição Será a paz sobre cinzas Morremos de armas na mão. Chacina, chacina, chacina.

Raul Ellwanger...não é segredo que sou teu admirador, fá de apitinho mesmo. Resolvi blogar hoje em tua homenagem, mestre. Já vais ver o motivo!
Pois eu tenho o hábito de trabalhar com um par de fones enfiado nas orelhas, para concentrar as ideias e manter o foco. E lasquei no Youtube uma lista de canções de um certo festival lá nos anos 80, pensei ser uma fonte de boa coisa para os ouvidos, mente e alma.
E foi melhor que a encomenda. Ali, a voz da Nana Chaves, e a lindíssima Jacobina, tu…

Não eram...tô sabendo!

"Ah, no tempo da ditadura é que era bom"..."ah, que saudades da ditadura"... (cá pra nós, parece comercial de um determinado segmento de fármacos vasoativos de comprimidos azuis) "os militares eram honestos, todos foram pra reserva só com o soldo"... Quem nunca ficou com vontade de enfiar os dentes de quem fala isso pra dentro, após a choradeira clássica pedindo a volta do coturno às ruas?
Pois um amigão meu estava desabafando outro dia sobre sua passagem rápida (ainda bem) e marcante no serviço militar... Por um desses golpes de sorte, pé quente ou algo do tipo, ele acabou ficando para motorista da turminha de verde-oliva. É, motorista de caminhão, em um primeiro momento. Ele que ia buscar provimentos para o quartel, com um sargento a tiracolo. Sempre o tal sargento que o acompanhava tirava um "por fora" com os fornecedores. Aquele saco de batatas, aquela caixa de sei lá o quê, enfim, sempre algum "agradinho". Coisa mais linda e honest…

cronicando sobre essa coisa toda aí

Oi, gente!
Realmente, se falar que a coisa tá feia, tá enfeitando. Sinceramente, não sei até que ponto disciplinas de OSPB e Moral e Cívica voltando seriam a solução. Tem que ter muita leitura, muita literatura brasileira e internacional, ler Victor Hugo, Dumas, Monteiro Lobato, Machado de Assis, Érico Veríssimo. Boas aulas de História, bem embasadas, o pessoal lendo Galeano e o "Enterrem meu coração na curva do Rio", vendo o filme "Xingu", sobre os Villas-Boas, estudando de verdade a Bíblia, como se fosse um livro de História (e o é) até pra entender o contexto todo.  
Quando um cara me vende na CEASA cenouras a cem paus a caixa, e não aos 25 de sempre, dá vontade de dizer simplesmente.... "não". Regra de mercado, o consumo deve regular os preços, com a mãozinha do Estado na hora em que a zona toma conta e os malandros e rapaces aparecem. Infelizmente, a "lei do jeitinho" impera, e as pessoas tentam de tudo. É o famoso "vejabem".
Out…

24 de Maio - Coração Aquecido

E hoje é o Dia do Coração Aquecido. Não, não me refiro à iguaria galinácea dos churrascos gaúchos, mas ao dia da experiência mística de John Wesley. Peraí, não estou falando do ator que viveu o Flash no seriado dos anos 90 e o Flash da Terra 3 no seriado atual. John Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial. Era filho de pastor anglicano, educado pela mãe, dona Susana, com rigores únicos. Bom, mas onde ele viveu...bem, a Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, uma elite podre, vícios e violência generalizada. Uma profunda crise social. Operários e mineiros trabalhando 16 horas por dia por um salário miserável. Crianças em idade escolar, trabalhando feridas, doentes, morrendo de frio e fome. Muito alcoolismo. Isso tudo ao mesmo tempo em que uma casta de nobres detinha os meios de produção e o controle sobre a massa de trabalhadores. Nesse contexto surgiu o Movimento Metodista, quando um grupo de estudante…