Bolaños, ou Chaplin 2.0

Sexta-feira, a surpresa. Roberto Bolaños, Chesperito, ou, se preferir, Chaves/Chapolin. Todos em uma só pessoa, nos deixaram. Assim como outro gênio das telas, que também retratava seu protagonista empobrecido, Chaves nos deixa num final de ano. Chaplin morreu no dia de Natal, em 1977. Bolaños nos deixou um dia após o Dia de Ação de Graças.

Pois ambos nos deixam uma lição quase evangélica em seu trabalho. Ambos faziam de seus personagens um apêndice ao Cântico de Maria: "Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.." (Evangelho de Lucas, 1: 51-53). Sacanear o Sr. Barriga vai mais ou menos nessa vibe.

Quando Chaplin mostrava o ridículo do senhorio truculento, do patrão cruel, ou expondo um caricato führer ao mundo em O Grande Ditador, ele pouco era diferente do menino que morava no barril, escorraçado por todos, que sonhava com sanduíche de presunto e pedia, na Fonte dos Desejos, para almoçar todos os dias. E ambos em nada se afastam na essência do canto da jovem que se descobre grávida do Senhor. Todos demonstram que os podres poderes terrenos não são nada diante do amor, da solidariedade, do olhar infantil sobre o mundo.

As gags chaplinianas, junto com os bordões daquele com o qual "não contavam com a astúcia" ficam na mente dos que os idolatram e amam, reprise após reprise, nas versões animadas e com o elenco que todas as crianças, dos dois aos cento e vinte anos, conhecem.

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