agosto

Gostaria de saber quem é que está acelerando a rotação dos relógios e o passar de folhas do calendário. Ainda há poucos dias e estava em janeiro, planejando como seria este ano. Acordei hoje em pleno 2 de agosto, com um friozinho que me lembra que ainda é inverno nessa metade do planeta. Com a pressa de quem sobe à tona para respirar, o tempo atropela fatos, datas, histórias. Vemos coisas inimagináveis, como o Santos recusar cerca de cem milhões de reais pelo Neymar, o dólar virar merreca, a safra de escândalos pipocando de ministério em ministério, cheias e secas no mesmo Rio Grande, o Natal Luz virando caso de polícia, o Grêmio se esforçando pra ser campeão da segundona de 2012 (pelo andar da carroça...tomara Deus que eu esteja escrevendo bobagem!), o sujeito tendo que ter carteira de motorista e um psiquiatra do lado pra dirigir na BR 116, minha filha dando os primeiros sinais do que me espera na sua adolescência, enfim...

O tempo segue sua jornada inclemente, levando de roldão quem fica na janela, carolinamente falando. Ao mesmo tempo, sinto falta de ler coisas que não sejam só as aulas, as provas, as resenhas e textos de alunos...ou os artigos que municiam meus projetos, embriões de algo que poderá vir a ser. Vejo alguns teimosos fios brancos darem sinal de vida em meu cavanhaque, embora ainda tenha um cabelo 100% original de fábrica. A barriguinha me lembra de que tenho que visitar meu amigo Serginho, e suar um pouco na esteira e nos pesos. A Pati me liga, lembrando das contas por pagar, de água e luz, socializando meu salário com um estado que pede em balde e dá em conta-gotas.

Pego o carro, que implora uma lavada decente e uma clemente camada de cera, devolvendo-lhe a auto-estima e um certo viço. Sigo para a prefeitura, onde a tarde promete telefone tocando, reclamações cidadãs e trabalho burocrático. A manhã foi de alegria, os dedos ainda cheirando a laboratório, algo entre lugol e manchas de fucsina no avental. Um email de minha amiga e colega Denise Azambuja me recorda que tenho algo a buscar no IPA, logo mais, lembrança de um aluno querido, que não está mais entre nós.

Algo me diz que a única coisa para qual o tempo se arrastará será a hora de conjugar a tríade jantar/banho quente/cama macia...e os ponteiros então travam-se, inclementemente. Já diria Nana, "é hora de trabalhar"...fui!!

Comentários

  1. Caro Guto,

    acho que estás te dando conta de que a gente passa... o tempo permanece. A idade chega... a realidade tá aí. O que mais vale a pena é descobrir que tudo isso é lindo... porque faz parte do nosso existir.

    Um abraço,

    Garin

    http://norberto-garin.blogspot.com

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