belas novidades...

Não foi só daquele golaço de ir pra antologia, feito pelo Bolaños ontem na vitória maiúscula do Grêmio diante da LDU. Outras duas notícias me fizeram reforçar minhas crenças na Humanidade.

Ontem, o COI - Comitê Olímpico Internacional - anunciou que haverá uma delegação de refugiados nos jogos do Rio deste ano. A ROA - Equipe de Atletas Olímpicos Refugiados, irá competir sob a bandeira olímpica, como uma nação a mais a reivindicar seu lugar ao sol, a mostrar seu talento e força nos jogos. O COI identificou 43 potenciais atletas, de uma equipe que poderá ter 10 competidores. Conforme Thomas Bach, presidente do COI, "ao acolher a ROA nos Jogos Olímpicos no Rio, queremos enviar uma mensagem de esperança para todos os refugiados do mundo. Não tendo nenhuma equipe nacional para pertencer, não tendo nenhuma bandeira para desfilar, não tendo nenhum hino nacional a ser tocado, esses refugiados serão bem-vindos aos Jogos Olímpicos com a bandeira olímpica e com o hino olímpico". Um jeito de incluir na festa olímpica aqueles que a estupidez das guerras tornou párias, sem um país para chamar de seu, mas com o talento dos deuses do esporte olímpico. Vou torcer por essa galera, com certeza!!

Também foi bonito ver um cosmonauta russo e um astronauta norte-americano voltando juntos, vivos e (na medida do possível) inteiros de 340 dias de espaço, enlatados dentro da Estação Espacial Internacional - ISS. Guarde os nomes: Scott Kelly e Mikhail Kornienko. A bordo de uma nave Soyuz, a dupla, mais um outro cosmonauta, desceram no Cazaquistão. Com certeza, os organismos bagunçados pela privação de gravidade, há muitas modificações fisiológicas decorrentes desse tempão todo no espaço.  Por sorte, o astronauta americano tem um irmão gêmeo, o que permitirá comparações únicas sobre aspectos metabólicos, fisiológicos, psicológicos e outros, a fim de preparar melhor os navegadores do espaço que possivelmente irão a outras missões longas. 

A coisa toda tem importantes repercussões científicas. O efeito da microgravidade nos astronautas e cosmonautas leva ao atrofiamento de músculos e ossos, que não são mais necessários para suportar o peso do corpo sob ação da gravidade. Para contornar o problema, os tripulantes da ISS fazem cerca de duas horas diárias de exercícios e tomam suplementos vitamínicos. Mesmo assim, a perda média é de 1,5% do tecido ósseo por mês. A microgravidade também tem influência sobre os fluídos corporais. Sem gravidade, o coração tende a encolher, porque não é necessário fazer tanto esforço para bombear o sangue para o resto do corpo. O rosto tende a inchar e ficar mais arredondado porque os fluídos não sofrem a ação da gravidade e descem para as partes inferiores do organismo. Isso dificulta a visão e o olfato.

Por muitos anos, russos e norte-americanos se puseram como antagonistas, com os ânimos exaltados, tratando-se como cães e gatos, gatos e ratos e outros exemplos do tipo. No entanto, ao contrário de muitas mídias que pareciam incentivar essa dicotomia, alguns autores lembraram que a Humanidade é uma só. Um clássico exemplo é o convívio de Pavel Andreyevich Chekov com seus companheiros da USS Enterprise, em Jornada nas Estrelas. Chekov foi introduzido na segunda temporada. A escolha de um personagem russo para compor a tripulação multirracial, no auge da Guerra Fria, foi uma forma de mostrar o progresso político que haveria no Século XXIII. Outro seriado que unia russos e americanos era Os agentes da Uncle. Na verdade, Yllia Kuryakin era georgiano, mas lembre que, na época, a Geórgia integrava a URSS.Seu parceiro era o norte-americano Napoleon Solo. O que importa é que a inusitada - para a época - dupla dava conta do recado em suas missões contra a WASP (ironicamente, é o acrônimo para branco, anglo-saxão e protestante, o perfil do norte-americano conservador...).

Bom, pelo jeito os amigos do hemisfério norte se deram conta de que é possível trabalhar em conjunto. A Guerra Fria, tão fomentada pela indústria bélica de ambos os lados, como diria Lennon, is over (espero). E os sem bandeira terão uma bandeira olímpica para chamar de sua, ao desfilar na abertura dos Jogos no Rio de Janeiro. Vamos aguardar novos passos de evolução da Humanidade, sem passos de formiga e com muita vontade!


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