dos últimos....

Outro dia, em aula, um colega levantou um tópico interessante, no qual me enxerguei de pronto. Aula de uma disciplina focada em questões de Inclusão/Exclusão, o colega lembrava que uma forma de exclusão era visível nas escolas quando, na escolha dos times de futebol, vôlei ou o que fosse, um ou uma sempre fosse a última pessoa a ser escolhida. Bom, muitas vezes, eu era essa pessoa. Não bastasse isso, o fato de ser o último a ser escolhido, na base do "tá, não tem tu, vai tu mesmo", a hostilidade e o bullying para com o jeito abaixo do esperado para as lides esportivas vinham feito ferro quente. E com crueldade. E depreciando, física e moralmente.

Até hoje tenho dificuldade em falar sobre o assunto. Me é pesado o tema, pois mexe com feridas que nunca cicatrizaram. É difícil a coisa de ser escanteado, excluído, deixado de lado. Mexe com a autoestima, a autoimagem, te leva a ações autodestrutivas, como o comer demais ou de menos, e por aí vai. Lesa. Fere. Dói.

Quando a gente se dá conta que aquele processo da transição de infância tardia para a adolescência é a famigerada exclusão, você coloca na sua pele todos os excluídos da vida, seja por qual motivo o sejam, e passa a entender como essas pessoas enxergam o mundo.

Não, nunca me esqueci, por mais besta que seja, de situações excludentes, em vários campos da vida. E não pretendo esquecer, com certeza. Esquecer é não dar valor a toda forma de exclusão, e isso é fora de pauta. Também não perdoo situações de bullying atreladas à exclusão. Muito menos as que são ligadas, de alguma forma, a organismos com papel de promover a inclusão e a pessoa. Aí, o bicho pega!

Toda forma de excluir fere a dignidade humana, por mais inocente que possa parecer. Toda vez que pisamos em cima daquilo que pode ser usado para diminuir outrem, nos colocamos ao lado do que a sociedade tem de mais podre e nojento. Nos mascaramos de espartanos, de nazistas, nos juntamos ao lixo moral da Humanidade. E isso não tem perdão. Por menos que pareça importante, a matriz ideológica é a mesma. Pronto, falei.

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