Felipe e o Pássaro-roca (ou algo parecido)

Dando continuidade à série, lá vai outro amigo interfaceando realidade e ficção, ainda não sei  até que ponto vai uma ou a outra, em todo caso...
 
Meu nome é Felipe André Rito Rodrigues Aço (sacaram as iniciais?), sou psicólogo, professor, terapeuta, coralista bissexto, pai, marido, filho, irmão, dindo, compadre, tio-avô, ciclista, entre outras tantas "personas". Amo ler, viajar, me exercitar e curtir meus filhos. Sou assumidamente “pé frio” de nascença, desafortunado de história  e azarado por natureza. Na verdade, fui ganhar meu primeiro prêmio na vida  há alguns anos. E o prêmio era “só” uma bolsa de estudos para Nova Zelândia. E foi nessa viagem que topei com uma criatura no mínimo fantástica: a ave que originou a lenda do pássaro-roca e de como quase virei seu jantar.

Tá, você irá achar que fiquei inalando os vapores de vulcão em demasia...até pode ser. Os joelhos estavam inchados pelos quilômetros de bike nas trilhas.. aquela sombra no chão me chamou a atenção de cara. O que diabos era aquilo???

Olhei para cima: devia ser a mãe de todos os gaviões. Sem brincadeira, gente, era uns três metros, três metros e meio, de ponta a ponta de asa, e parecia que tinha me achado jeitoso pro jantar. Aliás, creio que ela achava que EU era o jantar!! Mas vem cá, esse bicho não era pra estar extinto? Ele não leu na wikipedia? Caraca...é hoje que me ferrei!

Óbvio que peguei a bike, e, com o que me restava de joelho, caí matando morro acima. Tá, vocês irão dizer que puxei minhas raízes lusitanas. Esqueci de mencionar esse detalhe na minha apresentação: apesar de brasileiro, não tenho um pingo de sangue do continente americano nas veias, pois o pai é angolano e a mãe portuguesa. Esse fato, com certeza, foi origem de inúmeras piadas por parte de meus amigos. Enfim...

Enquanto isso, eu tentei fugir do bicho. E olha que ela estava quase conseguindo seus intentos de me conhecer de forma mais íntima, em pedaços ou nem isso. Um rasante da águia de Haast (esse é o nome de minha candidata a algoz) e quase senti suas enormes garras me trinchando feito frango. E tome pedalada...as passarelas do monte Tongariro viraram uma freeway, diante de uma águia com vocação para serial killer, um joelho em frangalhos e o bafo na nuca da penosa gigante. Já imaginei que o bicho pelo menos poderia me jogar nas geleiras do monte, antes de me comer, pra pelo menos morrer com os joelhos menos doloridos, vai que o gosto da carne fica melhor...a essa altura, quase troquei o perfume de sempre por mostarda e ervas finas, pra agradar a freguesia...

De repente, um lampejo de criatividade! Olho adiante, uma lagoa! A salvação! Lancei a bike para o lado e, para confundir o bichão, me joguei na água. Feliz da vida com o plano, imaginei: enfim salvo... a águia gigante não me achou mais, confundida com minha atitude. Dou um tempo dentro da água. Por sorte, uma fonte termal quentinha... só que...

Saí da água de cor verdinha e brilhosa. Eis que comecei a sentir um cheiro estranho: tem algum esgoto por aqui, no meio do nada? Parece que me lancei numa festa do chucrute ou coisa do tipo...um cheiro de gases intestinais que faria inveja a muito flatulento de carteirinha. 

Eis que um simpático senhor me chamou a atenção. Ao me ver molhado e com cheiro de quem comeu uma tonelada de batata-doce, ele perguntou-me: "mergulho em água sulfurosa, moço?". Caiu a ficha...o preço de minha sobrevivência foi ficar cheirando a pum até a raiz da alma...

Com certeza, essa eu NÃO vou contar lá em casa...até porque se contar a patroa não vai acreditar!
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