retrato de alguém que devia ter ficado de boca fechada...

Tudo bem. Eu costumava soltar alguma piada ou trocadilho infame durante uma aula, em especial quando os epitélios passavam a ter diferentes tipos de classificação, ou os tipos de colágeno e onde se encontram, ou ainda o mecanismo molecular da contração muscular, ou as fases da embriogênese, gametogênese, ossos do carpo e tarso, derivadas da aorta abdominal, nervos do plexo lombar, ciclo de Krebs, lipólise, gliconeogênese... Ajuda a desopilar, libera endorfina, cria um ambiente legal de trabalho na sala de aula. Claro que tem que manter o respeito, afinal o objetivo é rir e desopilar, não ser processado! Estamos aqui pra ser felizes, não para sacanear com os próximos/as, e sala de aula não é lugar de preconceito, em hipótese alguma! Machismo, racismo, coisas do tipo, tô fora, isso não nos pertence!

Pois parece que nem todo docente pensa assim. Numa aula da disciplina de Direito Empresarial III, na conceituada Faculdade de Direito da PUC-RS, o conceituado professor Fábio Melo de Azambuja proferiu uma rápida conversa com sua turma. A gurizada apavorada, anotando os suspiros do docente, e ele abre o assunto, pedindo autorização para contar uma piada que "poderia ser agressiva para alguém", e proferiu a frase lapidar: “as leis, assim como as mulheres, foram feitas para serem violadas”. Um corolário à estupidez exarado pelo bacharel investido da docência superior (superior a que, cara-pálida???).

Um aluno tuitou na hora a frase que engrossaria o FEBEAPÁ do Stanislau Ponte Preta, certamente. A turma atônita sequer reagiu ao mentecapto diplomado. O interessante é que o estudante que fez a denúncia virtualizada está sofrendo represálias de seus próprios colegas, e, como terá provas com o Torquemada machista de plantão, teme que qualquer coisa que coloque na prova pode vir acompanhada de um zerinho vermelho e redondo...

Quer algo mais bacana ainda? Pelo que se sabe, há relatos de que não é a primeira vez que o professor profere comentários de teor notadamente machista: "moeda na mão, calcinha no chão", "essa é a prostituta das provas: não merece respeito", e por aí vai... Mais bacana ainda é ver alunas do dito bacharel colocando bigodões de papel, se dizendo favoráveis ao mestre "injustiçado": Je suis Azambuja"... Ricas joias indo para o mercado de trabalho... Imagina ser defendido por uma profissional dessas, que assina embaixo do machismo deslavado!

Sou filho, marido, neto, pai (ordem alfabética) de pessoas do sexo feminino. Lá em casa, até o cachorro é do sexo feminino, e cuida da gente com a alma e os dentões brancos e fortes! Não consigo admitir que, em pleno século XXI, segunda década, uma toupeira utilize o espaço sacrossanto da sala de aula para falar merda. Sim, você leu certo, eu escrevi "falar merda", pois não conheço outra expressão no vernáculo que descreve a escatológica verborragia do bacharel em direito. Do que adianta o dito advogado ter um site maneiro, um escritório bem localizado, ser professor de uma casa de excelência, se ele usa esse espaço tão sublime da sala de aula para deformar opiniões e reforçar o preconceito? Eu estou doido para voltar à docência superior, poxa! Um cara que tem esse espaço na mão, o utiliza sem a menor sabedoria, dando força a estereótipos, escancarando um machismo escroto e nojento, e ainda permitindo que um jovem, que certamente será um grande advogado, seja hostilizado por uma horda de puxa-sacos!

Que a História faça justiça. Tomara.

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