São Romero da América Latina, rogai por nós!

"Em nome de Deus e desse povo sofredor, cujos lamentos sobem ao céu todos os dias, peço-lhes, suplico-lhes, ordeno-lhes: cessem a repressão"


A frase é de dom Oscar Romero. Aliás, beato Oscar Romero. Aliás, São Romero da América Latina. Um santo mártir dos povos oprimidos, pobres, da América Latina.

Vamos contar um pouco da história do santo, que, no dia 23 de maio, foi beatificado, em El Salvador. Tá, sou metodista, não sou Católico Romano, mas me identifico muito com os santos católicos que, como são Romero, viveram profundamente a fé, as palavras de Cristo, assim como São Chiquinho de Assis e outros. 

São Romero foi assassinado, martirizado, a 24 de março de 1980. Oscar Arnulfo Romero nasceu em agosto de 1917 em Ciudad Barrios, em El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Aos 14 anos, ingressou no seminário. Premido pela necessidade, seis anos depois afastou-se para ajudar a família. Passou a trabalhar nas minas de ouro com os irmãos. conseguiu retomar os estudos e foi enviado para Roma para estudar teologia, na Universidade Gregoriana. Ordenado em 1942, regressa a El Salvador e assume uma paróquia do interior. Durante 26 anos, na função de vigário, padre Oscar Romero conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país.

Em 1970 é nomeado Auxiliar de San Salvador. O Arcebispo Luis Chávez y Gonzalez buscava atualizar a linha pastoral de acordo com o Concílio Vaticano II e a Conferência de Medellín. Mas Romero não se identificou integralmente com a linha pastoral proposta. Em 1974 é nomeado bispo da diocese de Santiago de Maria no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas. Não é difícil lembrar que a maioria dos países sul-americana - inclusive este país de onde escrevo - vivia duras experiências de ditaduras militares, na década de 1970.

No ano seguinte, a Guarda Nacional executa cinco camponeses e D. Romero celebra missa pelas vítimas. Ele não faz uma denúncia explícita do crime, mas escreve uma carta severa de admoestação ao presidente Molina. 

Em 1977, D. Romero é nomeado Arcebispo de San Salvador. Padre Oscar Romero chegou à capital com uma fama danada de conservador... No fundo era um homem do povo, simples, de profunda sensibilidade para com os sofrimentos da maioria, de firme perspicácia aliada à coragem de decisão. Pouco tempo depois, é assassinado o jesuíta padre Rutílio Grande, empenhado na luta do povo e ligado a D. Romero. 

Esse é o momento o jogo virou. Dom Romero reavaliou a sua posição e coloca-se corajosamente junto dos oprimidos, denunciando a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela nefanda aliança entre os setores político-militares e econômicos, apoiada pelos Estados Unidos da América. O Arcebispo denuncia também a violência da guerrilha revolucionária. As suas homilias são transmitidas pela rádio católica dando esperança à população e provocando, naturalmente, a fúria dos governantes, latifundiários e poderosos de plantão.

Em 1979, o presidente do país foi deposto pelo golpe militar. A ditadura se instalou no país e, pouco a pouco, se acirrou a violência. Reinou o caos político, econômico e institucional no país. De janeiro a março de 1980 foram assassinados 1015 salvadorenhos. Os responsáveis pertenciam às forças de segurança e às organizações conservadoras do regime militar instalado no país.

Nessa ocasião, dois sacerdotes foram assassinados violentamente por defenderem os camponeses, que foram pedir abrigo em suas paróquias. Dom Romero teve que se posicionar e, de pronto, se colocou no meio do conflito. Não para aumentá-lo, mas para ajudar a resolvê-lo. Esta atitude revelou o quando sua espiritualidade foi realista e o seu coração, sereno e obediente ao Evangelho.

Em fevereiro de 1980, D. Romero escreve ao presidente dos EUA, Jimmy Carter, um apelo para que ele não envie ajuda militar e econômica ao governo salvadorenho, a fim de não financiar a repressão ao povo.No dia 24 de março de 1980, Dom Romero foi fuzilado, em meio aos doentes de câncer e enfermeiros/as, enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador. 

O Arcebispo Dom Oscar Arnulfo Romero foi fiel a Igreja, e pagou com a vida o preço de ser discípulo de Cristo. O seu nome foi incluído na relação dos 1015 salvadorenhos que foram assassinados, em 1980.

Para inúmeras comunidades cristãs do continente americano, Oscar Romero passou a ser considerado santo desde o dia do seu martírio. Chamam-lhe São Romero da América Latina pelo seu empenho em favor da paz, sua luta contra a pobreza e a injustiça. Nas palavras de Dom Pedro Casaldáliga:

"São Romero de América, pastor e mártir nosso,
ninguém
há de calar
tua última Homilia".

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