Ontem sopapo foi batido lá....



UMA CIDADE UM PAIS LUGAREJO
UMA IGUALDADE UM SOSSEGO E UM BEIJO
NUM CANTO DO MUNDO PERDIDO SEM DINHEIRO
TUDO É TROCA O VERDE A BANANA E A AGUA DO RIO
TRANQUILA
TEM UMA DEUSA E UM POVO QUE É REI
QUE TOCA QUE PESCA QUE CAÇA QUE AMA
TRABALHA E NÃO CHORA
PORQUE NÃO TEM CANGA
PLANTA DE DIA, COME DE NOITE
LARANJA, PITANGA E OS RAIOS DE SOL


Giba Giba, ou melhor, Gilberto Amaro do Nascimento, nasceu em Pelotas, e faleceu ontem, dia 3 de fevereiro de 2014. Dizia ter 150 anos, bem humorado o Giba. Me lembro com orgulho de ter trocado palavras com ele, após uma apresentação. O negão irradiava simpatia e carisma, um sorriso largo e franco, gente fina pra caramba!

Resumir Giga Giba a "cantor" ou "músico" riograndense é pouco, e tornar pequena sua grande carreira, sua militância cultural tão intensa. A expressão "agitador cultural" resume mais corretamente a carreira do cantor, compositor, pesquisador, percussionista e militante cultural afro-gaúcho mais importante. Foi Assessor de assuntos Afro-açorianos na Secretaria de Cultura de Porto Alegre, fundador da Escola de Samba Praiana, resgatou em seu trabalho as sonoridades afro-gaudérias.

Giba foi, é, será, um dos maiores expoentes na utilização do tambor sopapo, instrumento que traduz muito da identidade musical gaúcha. O tambor de som profundo, tocado pelas mãos negras, agora resta silencioso sem aquele que o resgatou do ostracismo musical. Que os gaudérios de plantão me perdoem, mas gaúcho mesmo é o sopapo, e não o bombo legüero que veio de além do Prata, ou o cajón peruano! Nas palavras da grande Loma, Giba "colocou o tambor embaixo do braço e percorreu o Rio Grande do Sul e o Brasil contando a história do instrumento, a partir de como este chegou ao Litoral Sul. Muitos seguidores se uniram a esta pesquisa e conferiram a importância que o instrumento tem para a região."

Por décadas, trabalhou para a difusão da cultura afro-brasileira no Sul do país. Em 40 anos de carreira, foi premiado com o troféu Açorianos de Música com o álbum "Outro Um" e na 17ª edição, com o Prêmio Açorianos especial como destaque músico gaúcho. Participou de trabalhos importantes, como a Missa da Terra Sem Males, ao lado de Pery Souza e Martin Coplas. Giba gravou com grandes músicos, como Nelson Coelho de Castro, e teve composições suas gravadas por Kleiton e Kledir e outros grandes nomes da MPG/MPB.

Giba representa, representou, representará, a voz negra de nosso estado, a voz negra da zona sul do Rio Grande. Num estado múltiplo, de vozes e cores, chamado de Europa Brasileira, perdemos um pouco de nossa África, da linda cor preta do sul do Brasil. Fica a saudade, e o desejo que encontrar Giba Giba naquele Lugarejo que o Criador reserva para nós....Vai, fica com Deus e com o pai Oxalá, Giba!!

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