Meditando....
(adaptado de um texto de Milton Schwantes, disponível em http://www.devocionais.com.br/devocionais/5061-Ali,%20no%20descaso%20-%20Medita%C3%A7%C3%A3o%20de%20natal_) 

Do justo e do pobre tudo depende. Nem dá outra. Não há outro jeito. Justos são os que apoiam comunidades. Lutam pela vida a seu redor. Pagam salários justos. Cazuza, em uma de suas músicas, os chamaria de “bons burgueses", que "vive do seu trabalho honestamente, quer construir um país, e não abandoná-lo com uma pasta de dólares", os que ajudam o povo pobre...
Eis o caminho estranho de Deus. Vem chegando por vielas onde se esgueiram as pessoas pobres, à margem da vida. Deus apresenta-se pelo avesso, por trilhas pelas quais não se esperaria que viesse, nascendo onde nenhum Rei nasceria. O novo rei, o rei nascido na manjedoura, amigo de pobres e indefesos, vem de modo diferente, avesso. Vem justo e pobre. Pois de casebres vêm luzes. E bem assim é o natal de Jesus (Lucas 2,1-20), filho de Maria e José, este que o Espírito fez defender crianças e famintos, doentes e até soberbos.
Maria deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala dos hóspedes.  Maria foi enxotada para a estrebaria, para o cocho. Um cocho que nem aqueles que se vê nos sítios, fazendas e estâncias do Rio Grande, nas pequenas propriedades rurais...um lugar cheio de restos de palha, baba de vaca, cheiro de estrume e moscas...É pra lá que vão os que não são. Assim que foi tratado aquele casal... Maria e José não eram e nem tinham. De novo cito Cazuza, quando lembra o descaso da burguesia que "não repara na dor da vendedora de chicletes"... Nessa caso, não é a vendedora, mas o casal à beira do nascimento de um bebê.
E foi aí,  em meio aos enxotados, que nasceu Jesus. Na beira da vida, Deus se faz vida. Onde parece que já não há o que esperar, brotam rebentos. Faz-se plena a vida. Naquela estrebaria um casal chegava à quase ausência de dignidade. Ali, no descaso, Deus se torna caso, caso de vida e de luta por ela. 
O milagre vem pelas avessas. Avança pelo contrario do poder, contrariando-o. Não é acaso que quase ninguém o percebe. Não fossem os anjos, a notícia levaria tempo a se espalhar. Aliás, anjos são tais mensageiros de noticiário inusitado, de milagres à beira da vida. Nem todos possuem as asas das pinturas de Aleijadinho e de Aldo Locatelli. Há muito anjo por aí, de jaleco de fiscalização, de coletinho de enfermeira, dirigindo ônibus de crianças de áreas rurais, usando uniforme dos bombeiros... Esses da noite do primeiro natal são especializados em notícias que vêm da beira, no avesso. Foram a pastores. Logo a pastores! Esta é gente de profissão maldita naqueles tempos. Quem imagina aquela imagem do pastor com uma ovelha fofinha, tire o cavalo da chuva. Ser pastor de ovelhas naqueles dias era ser de todo marginalizado. Era ter uma ocupação desonrada. Lá foram os anjos, com suas asas aos farrapos, com os maus cheiros de estrebaria, a esta gente desonrada e maldita: ‘o Salvador nasceu!’ (2,11). A ventura maior ecoou em meio à desventura pior. E lá foram eles a comemorar o natal, o primeiro de todos...
Que teu Natal tenha o espírito, o jeito, o encanto, do primeiro Natal...que o impossível te aconteça, que os verdadeiros valores de Jesus estejam presentes contigo e com teus/tuas pessoas queridas.
Um abração,

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