dois palhaços

Enquanto baixava a pilha de processos ao meu lado em meu nicho da SEMAM, passo os olhos pelo portal Terra (viciado em noticiário como sou...) e leio duas matérias. Uma, da página da revista Rolling Stones, sobre o sr. Francisco Everardo Oliveira Silva, o popular Titirica. Palhaço de ofício, humorista, cantor de voz duvidosa e humor fácil, fez uma votação histórica nas últimas eleições para o Congresso Nacional. Meio na onda do "voto-cacareco", o tal palhaço surpreende positivamente, deixando claro que este é o seu único mandado. Tem pautado seu trabalho, tão questionado pela "inteligentzia" nacional, por valorizar o circo, seu berço artístico.  Cerca de trinta projetos de lei, valorizando a arte da gente pobre, o artista mambembe, que faz a alegria da gente simples do interior do país. Um reconhecimento às origens, algo raro em nosso país. Dignidade em carne, osso, maquiagem pesada e peruca...

Eu tive a chance de ir a um circo de periferia, em Belo Horizonte, há coisa de uns vinte e tantos anos atrás, na companhia dos amigos João Paulo Aço e Jaider Batista. Um humor simples, atrações singelas, mas muita alegria, uma presença importante na vida daquelas pessoas. E o deputado que veio desse meio, dando uma lição de dignidade a todos/as.

Já no mesmo blogue, li a manifestação do afamado diretor teatral, tão aplaudido pela intelectualidade brasileira, tido como cult, o senhor Gerald(o) Thomas. O sujeito, além de tratar à moça como um pedaço de carne, de forma nojenta, reafirma o machismo nacional, afinal, uma mulher não pode ser sedutora, bonita, usar roupas curtas e salto, se não for para seduzir, para subir na vida pelo sexo ou coisa parecida. Como ele mesmo disse, ele "meteu a mão na menina, mas na tranquilidade de que tudo termina "em panos quentes" no paisinho, segundo ele, que é "um Corsa que quer ser Mercedes". Que rica opinião sobre o país! É fácil para as elites menosprezar o Brasil, só que esses vermes vivem tentando financiar suas ideias artísticas, literárias e cinematográficas com fundos públicos, pagos pelas pessoas que moram no "Corsa"...

Eu sempre me lembro que, ao longo de minha formação, ouvia de colegas que o "Brasil não presta". Presta sim! Aqui tem natureza, cientistas geniais, artistas do palco, do som, do circo, das telas de pintura e de televisão, um cinema surpreendente... e, infelizmente, babacas que vão fazer teatro fora daqui falando merda de nossa terra.

Interessante. E tem mais!! Um é aplaudido pelas elites, bacharel em Filosofia, é valorizado pela mídia, é um dos queridinhos de sua classe, trabalhando (ohhhh) entre Brasil, NY e Paris. O outro, execrado pela origem simples, por participar de programas de televisão de gosto popular, tem sua capacidade intelectual provada às raias da humilhação. Qual deles é mais digno? O intelectualóide chato, arrogante e babaca que levanta a saia da paniquete, tratando-a com uma indignidade nojenta e escrota, ou o palhaço que mantém seu jeito simples de ser, em meio a uma casa de Trezentos Picaretas com Anel de Doutor? Fica a meditação...

Comentários

  1. Quem diria que um dia iriamos acreditar que Tiririca era sério e ético?

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